
Na opinião dos recrutadores, a deficiência em idiomas é uma das maiores barreiras para que os brasileiros consigam preencher as vagas e evoluir na carreira. “A dificuldade é ainda maior para os profissionais com mais de 35 anos de idade. Muitos ficam estagnados no cargo ou não podem aceitar propostas externas porque não conseguem se reportar à matriz no exterior ou fazer parte de uma equipe com indivíduos de diversas culturas”, diz Fabiano Kawano, da Robert Half.
A analista de recursos humanos Rita Martins concorda. Ela é responsável pelo recrutamento e seleção no Brasil da National Oilwell Varco (NOV), empresa de origem norueguesa que atende a indústria petrolífera inspecionando e fabricando equipamentos offshore e que emprega 600 funcionários no Brasil.
Atualmente, a dificuldade da companhia é preencher vagas para engenheiros mecânicos com conhecimentos em hidráulica. “Os candidatos que se encaixam no perfil não falam inglês e os que falam não têm experiência na função. Situações como essa são recorrentes”, diz.
A NOV investe em treinamento interno com uma escola técnica própria, na qual traz profissionais mais experientes da matriz e de filiais de outros países para ensinar. Além disso, manda colaboradores brasileiros para se capacitarem no exterior, reforçando ainda mais a importância do domínio da língua inglesa.
Segundo Rita, fazer cursos de aperfeiçoamento fora do país é uma necessidade, mas também uma forma de valorizar e segurar os talentos. “Esse é um mercado extremamente competitivo e o assédio da concorrência é grande. É preciso ter programas bem estabelecidos de bônus, retenção e planejamento de carreira para não perder os melhores”, afirma.
Gerente de interface no Brasil da multinacional holandesa SBM Offshore N.V., Rafael Torres tem experiência e sólida formação no setor, o que desperta interesse em diversas companhias. O executivo trabalhou cinco anos como terceirizado na Petrobras e migrou posteriormente para o ramo de siderurgia, onde ficou por mais dois.
Fonte: Valor Econômico

